02 de junho de 2004
Divulgada a Sinopse da Educação Básica de
2003
O ensino fundamental regular teve quatro milhões de alunos
reprovados e foi abandonado por 2,8 milhões de estudantes
em 2002. Os aprovados somam 27,8 milhões. Os concluintes,
2,8 milhões. Os dados fazem parte da Sinopse da Educação
Básica de 2003, divulgada hoje, dia 2, pelo presidente do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeria (Inep/MEC), Eliezer Pacheco, e pelo titular da Secretaria
de Educação Básica (SEB/MEC), Francisco das
Chagas Fernandes.
A Sinopse reúne dados de todos os níveis e modalidades
de ensino da educação básica coletados pelo
Censo Escolar. As informações, apresentadas por unidade
da Federação, referem-se a matrícula, funções
docentes, estabelecimentos, turmas, rendimento e transporte escolar.
Em relação aos anos anteriores, o número de
alunos reprovados manteve-se elevado. Em 2001, foram 3,9 milhões
e em 2000, 3,8 milhões. Já os alunos que abandonaram
os estudos, que eram 2,9 milhões em 2001, foram 3,4 milhões
no ano anterior.
Segundo Eliezer Pacheco, apesar da ampliação do acesso
ao ensino fundamental e médio nos últimos anos, é
necessária a implantação de políticas
de melhoria da qualidade da educação. “Precisamos
de uma escola que garanta a permanência e o sucesso escolar
do estudante”, afirmou.
As regiões com maior número de reprovados são
a Nordeste, com 1,8 milhão de alunos (45% do total), e a
Sudeste, com 938 mil (23%). A comparação com a distribuição
de matrículas mostra que no Nordeste estão 35% dos
alunos e no Sudeste, 36%. “Essa relação aponta
para a desigualdade de condições existentes entre
as escolas das diferentes regiões do País”,
explicou Pacheco.
De acordo com a Sinopse, 92% dos reprovados estavam no período
diurno e 8%, no noturno. Dos 2,8 milhões de alunos que abandonaram,
mais da metade — cerca de 1,5 milhão — era da
Região Nordeste.
Rendimento e movimento
escolar no ensino fundamental regular* (Brasil) |
|
Aprovados
|
Reprovados
|
Abandono
|
Concluintes |
|
2000 |
27.607.362
|
3.824.495
|
3.403.111
|
2.648.638
|
|
2001 |
27.909.995
|
3.876.167
|
2.896.816
|
2.707.683
|
|
2002 |
27.777.189
|
4.063.800
|
2.774.935
|
2.778.033
|
|
(*) Censos Escolares 2001, 2002 e 2003. |
| Fonte: Inep/MEC. |
Abandono no ensino médio — No Brasil,
1,1 milhão de estudantes abandonaram o ensino médio
regular em 2002 e 747 mil foram reprovados. Os aprovados foram 6,3
milhões e os concluintes, 1,9 milhão. No período
diurno estão 350 mil alunos que abandonaram a escola. No
noturno, 785 mil, o que representa 69% do total. Essa relação
mostra que o problema do abandono é muito maior entre os
alunos que estudam à noite, uma vez que a matrícula
desse turno correspondia a 49% do total. Mais da metade dos estudantes
que abandonaram a escola freqüentavam a 1ª série.
Rendimento e movimento
escolar no ensino médio regular* (Brasil) |
|
Aprovados
|
Reprovados
|
Abandono
|
Concluintes |
|
2000 |
6.094.895
|
612.093
|
1.111.023
|
1.836.130
|
|
2001 |
6.196.666
|
648.902
|
1.073.574
|
1.855.419
|
|
2002 |
6.334.050
|
747.000
|
1.135.009
|
1.884.874
|
|
(*) Censos Escolares 2001, 2002 e 2003. |
| Fonte: Inep/MEC. |
Educação de Jovens e adultos —
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresentou 312
mil concluintes na 4ª série do ensino fundamental e
482 mil na 8ª. No ensino médio, formaram-se 418 mil
pessoas. Na 4ª série, mais da metade dos concluintes
da EJA era da Região Nordeste. Na 8ª série do
ensino fundamental e no ensino médio, a região com
maior número de concluintes foi a Sudeste.
Em geral, a EJA apresentou altas taxas de crescimento no número
de concluintes. A mais expressiva, na 4ª série: 16%.
No entanto, o ensino médio, com crescimento de 14,5%, reverteu
a queda de 4% ocorrida entre 2000 e 2001.
Concluintes da educação de jovens e adultos* –
supletivo (Brasil)
Concluintes da educação
de jovens e adultos* – supletivo (Brasil) |
|
Ano |
Ensino Fundamental |
Ensino Médio |
|
4ª série |
% |
8ª série |
% |
3ª série |
% |
|
2000 |
229.887
|
—
|
436.452
|
—
|
380.764
|
—
|
|
2001 |
266.309
|
15,8
|
449.356
|
3
|
364.905
|
- 4,2
|
|
2002 |
311.723
|
17
|
481.521
|
7,2
|
417.667
|
14,5
|
|
(*) Censos Escolares 2001, 2002 e 2003. |
Fonte: Inep/MEC.
|
Os dados da Sinopse revelam que 55,3 milhões de pessoas
estavam na educação básica em 2003, quantidade
superior a toda a população de 19 estados ou das regiões
Sul, Centro-Oeste e Norte somadas.
Esses estudantes distribuíam-se em 212 mil escolas, que
contavam com quase 2,5 milhões de professores. Em toda a
educação básica havia, ainda, 1,8 milhão
de turmas no ensino regular.
O ensino fundamental tinha 34,4 milhões estudantes, seguido
do ensino médio, com 9,1 milhões. Na creche estavam
1,2 milhão de crianças e na pré-escola, 5,6
milhões. Na educação especial, em escolas especializadas
ou em classes especiais, o número de matrículas era
de 359 mil. No sistema de integração, no qual a criança
fica em sala comum, havia 145 mil estudantes. Em toda a EJA, estudavam
4,4 milhões de jovens e adultos.
Melhoria da qualidade — A Secretaria de
Educação Básica, responsável pela elaboração
das políticas de educação infantil, ensino
fundamental e médio, estabeleceu quatro eixos de ação
para aumentar a qualidade da educação básica:
discussão e implantação do Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb);
ampliação do ensino fundamental para nove anos; formação
continuada de professores e melhoria da educação infantil.
A implantação do Fundeb, em substituição
ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério
(Fundef), é uma das prioridades do MEC. “O atual sistema
financia apenas o ensino fundamental e, assim, estrangula o infantil
e o médio. Isso agrava a situação desses dois
níveis, que já têm uma demanda enorme por matrículas”,
disse Chagas Fernandes. O Fundeb permitirá o aumento do volume
de recursos para a educação, garantirá a aplicação
em todos os níveis e modalidades de ensino básico
e contribuirá para equiparar o valor mínimo por aluno
em um mesmo estado.
Prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB) e no Plano Nacional de Educação (PNE), a ampliação
do período do ensino fundamental de oito para nove anos começou
a ser adotada em Minas Gerais, no Rio Grande do Norte e no Maranhão.
“A criança que entra aos seis anos no sistema e conta
com um currículo adequado a sua faixa etária desenvolve
competências para o aprendizado escolar. Assim, terá
mais chance de sucesso”, afirmou o secretário.
O MEC vai estimular estados e municípios a ampliar o ensino
fundamental. Para isso, estabelecerá diretrizes e partilhará
experiências com quem já adotou o sistema. Ainda neste
semestre, apresentará às secretarias estaduais e municipais
de todo o País um relato das vivências de estados e
municípios que implantaram os nove anos. A ampliação
será discutida a partir de uma síntese das decisões
e propostas feitas nos sete encontros regionais promovidos pelo
Ministério em fevereiro.
A SEB também vai intensificar ações para valorizar
os profissionais da educação. O MEC está investindo
R$ 11 milhões, em 2004, na Rede Nacional de Formação
Continuada de Professores de Educação Básica
(Rede). Constituída por 20 universidades de todo o País,
a Rede chegará a sistemas de ensino em todos os estados brasileiros.
Cada universidade receberá, por quatro anos, R$ 2 milhões
para a constituição dos centros de pesquisa e desenvolvimento
da educação. Ela formará centros de apoio à
produção e oferta de materiais didáticos e
promoverá cursos presenciais e de educação
a distância. Os produtos da Rede atendem às áreas
de alfabetização e linguagem, educação
matemática e científica, ensino de ciências
humanas e sociais, artes e educação física
e gestão e avaliação da educação.
O Programa de Melhoria e Expansão do Ensino Médio
(Promed), financiado com recursos da União, dos estados e
do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), objetiva expandir
as matrículas do ensino médio pela formação
continuada de professores, construção e reforma de
escolas, aquisição de equipamentos, de acervo bibliográfico
e de material didático-pedagógico. Em 2003, foram
atendidas 9.733 escolas e geradas 13,2 mil vagas no ensino médio.
Em 2004, o investimento será de R$ 65,6 milhões em
21.980 escolas para contemplar 12.180 profissionais de educação.
Haverá ainda a implementação de 27 novos convênios
com as unidades federadas.
O Programa Nacional do Livro do Ensino Médio (PNLEM) atenderá
aos alunos das escolas públicas com oferta de material de
apoio ao processo ensino-aprendizagem. O projeto-piloto beneficiará,
em 2005, aproximadamente 1,3 milhão de alunos da 1ª
série com livros de Português e de Matemática.
Os livros serão analisados, selecionados e escolhidos pelos
professores ainda neste mês.
Este ano, a secretaria dará atenção, também,
à formação dos chamados professores leigos
da educação infantil. Ou seja, aqueles que não
têm habilitação para o exercício da profissão
nesse nível de ensino. Chamado de Pró-Infantil, o
Programa pretende formar 40 mil professores. Serão dois anos
para cada turma. A primeira deve se formar em 2007.
Fundescola — Criado para melhorar a qualidade
da educação nas escolas públicas do ensino
fundamental nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o
Fundescola envolve recursos de US$ 1,3 bilhão da União
e do Banco Mundial. A verba é utilizada pelos 19 estados
e 384 municípios atendidos em programas de formação
continuada de professores, na implantação de metodologia
específica para escolas rurais, na aquisição
de novos equipamentos e de mobiliário e na construção
e reformas de salas de aula e de sanitários de escolas públicas.
Os programas do Fundescola são:
Escola Ativa: Voltado para a melhoria da qualidade do ensino nas
escolas da zona rural.
Programa de Aperfeiçoamento da Leitura e Escrita: Projeto
de formação continuada destinado a apoiar professores
na tarefa de alfabetização.
Programas Gestão da Aprendizagem Escolar: Destinados a professores
da 1ª à 4ª série (Gestar I) e da 5ª
à 8ª (Gestar II) das escolas públicas, nas áreas
de Matemática e Língua Portuguesa.
Programas Fortalecimento da Equipe Escolar e Novos Rumos da Avaliação:
O primeiro tem como objetivo promover a integração
da equipe escolar para a melhoria do processo pedagógico.
O Novos Rumos estimula os profissionais do ensino a refletir sobre
a avaliação do rendimento escolar do aluno.
Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE): Tem o objetivo de apoiar
as escolas na melhoria da gestão.
Projeto de Adequação dos Prédios Escolares
(Pape): Destinado a repassar recursos para que as escolas públicas
façam a adequação das salas de aulas e dos
sanitários.
Planejamento Educacional Estratégico da Secretaria (PES):
Tem como meta divulgar metodologias, processos e ações
de melhoria da capacidade institucional das secretarias estaduais
e municipais de educação.
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