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Diminui taxa de analfabetismo entre mulheres

O crescente interesse das mulheres em melhorar seu nível de escolaridade vem refletindo na redução da taxa de analfabetismo feminino. É o que mostra o estudo Trajetória da Mulher na Educação Brasileira, elaborado pelo Inep/MEC e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com dados coletados entre 1996 e 2003. Segundo o estudo, divulgado esta semana em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a taxa de analfabetismo no Brasil teve uma redução de 21,08% entre 1996 e 2003, sendo que entre as mulheres essa retração foi de 22,97%. Entre os homens, a redução da taxa de analfabetismo ficou em 19,31%. A busca de formação pelas mulheres pode ser melhor observada se forem analisados comparativamente dois grupos de idade: o de mulheres entre 15 e 19 anos e aquelas com 50 anos ou mais. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a redução do analfabetismo entre as mulheres foi de 60% no período analisado, enquanto que entre os homens a redução ficou em 54,43%. Entre as mulheres com 50 anos ou mais registrou-se uma queda na taxa de analfabetismo de 19,48% e, entre os homens da mesma idade, de 15,65%. O estudo afirma que, em termos de escolaridade e desenvolvimento social, percebe-se um crescimento bastante positivo entre as mulheres. Elas estudam mais, vivem mais, e ocupam um número crescente de postos no mercado de trabalho. No entanto ganham menos. Para elaborar o trabalho, o Inep utilizou dados do Censo Escolar, do Censo da Educação Superior, dos exames nacionais aplicados aos estudantes de educação básica e superior, do IBGE, entre outras fontes.

Taxa percentual de analfabetismo por sexo - Brasil

 

1996

2003

Variação %

Total da população

14,7

11,6

-21,08

Total das Mulheres

14,8

11,4

-22,97

Mulheres 15-19

4,0

1,6

-60,00

Mulheres 50 ou mais

34,4

27,7

-19,48

Total dos Homens

14,5

11,7

-19,31

Homens 15-19

7,9

3,6

-54,43

Homens 50 ou mais

28,1

23,7

-15,65

Fonte: IBGE

Elas dedicam mais tempo ao estudo

O trabalho do Inep/MEC mostra que a disposição das mulheres em estudar tem promovido um crescimento da média nacional de tempo de escola. Conforme o documento, a média nacional cresceu 1,1% entre 1996 e 2003. Em 1996, os brasileiros estudavam 5,6 anos, passando, em 2003, para 6,7 anos. Entre as mulheres, o tempo de escola aumentou de 5,7 anos para 6,8 anos, enquanto que os homens, que em 1996 dedicavam 5,6 anos à sua educação formal, passaram, em 2003, a contabilizar 6,6 anos. Ao analisar o tempo médio de estudos por faixa etária, Trajetória da Mulher na Educação Brasileira aponta que as novas gerações de mulheres têm buscado ampliar o seu tempo de escolarização. Em 1996, as jovens de 15 a 19 anos dedicavam, em média, 6,3 anos ao estudo e, em 2003, passaram para 7,7 anos. As mulheres de 20 a 24 anos tinham, em 1996, um tempo médio de 7,2 anos, passando, em 2003, para 8,8 anos. No grupo entre 25 e 29 anos, o tempo médio elevou-se de 7,1 anos para 8,2 anos. (Veja tabela) “As mais jovens buscam o que talvez não fosse uma grande preocupação das gerações mais antigas. Talvez o crescimento da porcentagem de mulheres no mercado de trabalho esteja estimulando a busca por mais tempo de estudo”, observa o documento do Inep.

Tempo médio de estudos das mulheres segundo a faixa etária

 

1996

2003

15 a 19

6,3

7,7

20 a 24

7,2

8,8

25 a 29

7,1

8,2

30 a 39

6,7

7,5

40 a 49

5,6

6,8

50 ou mais

3,3

4,2

Fonte: IBGE
Mesmo estudando menos, homens ganham mais

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizados pelo Inep/MEC, mostram que, entre 1996 e 2003, o rendimento médio das pessoas com 11 anos ou mais de estudo sofreu uma queda de 33,04%. Entre as mulheres, essa queda foi de 27,53%, mas elas já ganhavam menos do que os homens. Em 1996, o rendimento médio de mulheres com 11 anos de estudos ou mais era de R$ 959,00 e, em 2003, de R$ 695,00. Apesar da dedicação ao aprendizado, elas ainda continuam com um rendimento econômico inferior ao dos homens. Com a mesma escolaridade, os homens apresentavam um rendimento médio de R$ 2.159,00, em 1996. Em 2003, ganhavam R$ 1.362, numa queda de 36,92%. Até entre aqueles que têm menos de um ano de estudo, as mulheres aparecem com desvantagem salarial. Em 1996, a diferença entre os salários de homens e mulheres nesta faixa de renda era de 106%. Em 2003, caiu 53%. Entretanto, vale ressaltar que, enquanto o rendimento das mulheres subiu 34,1% entre 1996 e 2003, o dos homens teve uma redução de 0,3%. Veja tabelas.

Rendimento médio de quem estuda 11 anos ou mais

1996

2003

Crescimento

Total

1.492,00

999,00

-33,04%

Mulheres

959,00

695,00

-27,53%

Homens

2.159,00

1.362,00

-36,92%

Fonte: IBGE

Rendimento mensal de pessoas sem instrução e com menos de 1 ano de estudos

 

1996

2003

Crescimento

Mulheres

129,00

173,00

34,1%

Homens

266,00

265,00

-0,38%

Fonte: IBG
Número de mulheres no ensino superior cresceu 115%

A participação da mulher nos cursos de graduação acompanhou a recente expansão registrada no ensino superior. Os dados sobre a trajetória da mulher na educação mostram que, entre 1996 e 2003, o número de matrículas nesse nível de ensino cresceu nada menos que 108%, passando de 1.868.529 para 3.887.022. O número de mulheres matriculadas no ensino superior cresceu 115%, elevando-se de 1.105.900, em 1996, para 2.193.246 em 2003. O crescimento do número de homens matriculados no período analisado foi de 98%. Se, em 1996, a diferença de matrículas a favor das mulheres era de 8,7%, em 2003 aumentou para 12,8%. A presença das mulheres nos cursos de graduação cresceu em todas as regiões do País, com destaque para as regiões Norte e Centro-Oeste. Na região Norte, a diferença de matrículas a favor das mulheres subiu de 3,9%, em 1996, para 21,1% em 2003. Na região Centro-Oeste, essa diferença, que era de 15,8%, aumentou para 19,9% em 2003 (veja tabela). Nas regiões Sul e Sudeste, que concentram o maior número de habitantes, os índices - 11% e 10,7%, respectivamente – se aproximam do índice médio de 13% de mulheres a mais do que homens no ensino de graduação. Apesar de já se verificar um aumento da participação masculina no ensino fundamental e médio, as mulheres são maioria na graduação. No ensino médio, em 2003, o número de mulheres matriculadas superava o de homens em 7%. Mas essa diferença já foi bem maior. Em 1996, o número de mulheres era 13,6% maior que o número de homens, o que indica, segundo o estudo, uma tendência de aumento da escolaridade masculina no País.

Diferença das matrículas femininas em relação às masculinas na graduação

 

Diferença a favor das Mulheres em 1996

Diferença a favor das Mulheres em 2003

Brasil

8,7%

12,8%

Norte

3,9%

21,2%

Nordeste

11,3%

13,6%

Sudeste

7,3%

11,0%

Sul

9,3%

10,7%

Centro-oeste

15,8%

19,9%

Fonte: Inep/Mec
Preferência feminina é por Ciências Humanas e Saúde

Confirmando uma tendência histórica, as mulheres continuam optando por cursos superiores nas áreas das ciências humanas e da saúde. Dados mostram que, em 2003, os cursos de Serviço Social e Orientação eram os que contavam com maior percentual de estudantes mulheres (93,8%). Em seguida aparecem os cursos de Fonoaudiologia, que contavam com 92,2% de alunas, e o de Nutrição, com uma participação feminina de 92,8% (veja tabela). Em contrapartida, os homens continuam dando preferência às Ciências Exatas. Dos 9.172 estudantes matriculados nos cursos de Mecânica, 92,1% são homens. Essa preferência aparece também nos cursos de Construção e Manutenção de Veículos a Motor, com 91,8%, e de Transportes e Serviços (cursos gerais), com 88,1% de estudantes do sexo masculino. “Essa marcada diferença de escolha entre áreas de atuação profissional, conseqüência de uma socialização diferenciada, certamente explica por que as mulheres, mesmo sendo maioria nos cursos universitários, continuam mantendo uma grande inferioridade em termos salariais em relação aos homens”, analisa o estudo.

Cursos com os dez maiores percentuais de matrículas do sexo feminino - Brasil 2003

CLASSE

TOTAL

FEMININO

%

Brasil

3.887.771

2.193.763

56,4

Serviço Social e orientação

31.986

30.001

93,8

Fonoaudiologia

13.963

12.969

92,9

Nutrição

32.556

30.221

92,8

Secretariado

16.937

15.681

92,6

Ciências Domésticas

1.351

1.231

91,1

Serviços de beleza

277

252

91,0

Pedagogia

373.945

339.832

90,9

Psicologia

90.332

76.990

85,2

Enfermagem

92.134

77.997

84,7

Terapia e Reabilitação

7.225

6.051

83,8

Fonte: INEP/MEC

Cursos com os dez maiores percentuais de matrículas do sexo masculino - Brasil 2003

CLASSE

TOTAL

FEMININO

%

Brasil

3.887.771

1.694.008

43,6

Mecânica

9.172

8.445

92,1

Construção e manutenção de veículos a motor

73

67

91,8

Transportes e Serviços (cursos gerais)

3.434

3.027

88,1

Eletrônica

9.214

8.121

88,1

Eletricidade e energia

1.798

1.577

87,7

Profissões industriais

3.287

2.856

86,9

Serviços de segurança e proteção de pessoas e propriedades

556

466

83,8

Básicos / Programas especiais

1.858

1.553

83,6

Tecnologia química e de processos

1.448

1.167

80,6

Engenharia

234.722

187.426

79,9

Fonte: INEP/MEC

Mulheres comparecem mais ao ENC

Um indicador do interesse das mulheres pela formação superior é a assiduidade com que elas participam do Exame Nacional de Cursos (Enc). Os dados do Inep mostram que, nos exames realizados entre 1999 e 2003, as mulheres foram maioria. Em 1999, por exemplo, 52,2% dos graduandos presentes no exame eram do sexo feminino, enquanto que os homens corresponderam a 47,8%. O mesmo ocorreu em 2003, com uma participação de 63,6% de mulheres e 36,4% de homens. Os números tornam-se mais significativos quando se considera os cursos com maior presença masculina, como Engenharia Civil, Medicina Veterinária e Engenharia Elétrica e Mecânica, avaliados pelo ENC. Dos cursos com maior presença feminina, apenas Letras e Comunicação Social foram avaliados inicialmente. Em 2001, entraram na avaliação os cursos de Pedagogia, Enfermagem, História, Fonaudiologia e Geografia.

Presença no ENC - entre 1999 e 2003

Anos

Homens

Mulheres

1999

47,8

52,2

2000

44,7

55,3

2001

37,0

63,0

2002

34,0

66,0

2003

36,4

63,6

Fonte: Inep/Mec
INFORMATIVO 79
INEP 9 MAR
2005

Presidência
Eliezer Pacheco
Diretoria de Avaliação da Educação Básica
Carlos Henrique Araújo
Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências
Ataide Alves
Diretoria de Estatísticas da Educação Básica
Davi Luiz Schmidt
Diretoria de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior
Dilvo Ristoff
Diretoria de Gestão e Planejamento
Joney Prates Ferraz

Diretoria de Tratamento e Disseminação de Informações Educacionais
Oroslinda Maria Taranto Goulart
Redação e Edição
Antônio Marcos da Costa
Jéferson Assumção
Luiz Motta
Diagramação Web
Marcelo Alegria
Rogério Araújo
Revisão
Antônio Bezerra Filho
Rosa dos Anjos

Telefones: (61) 2104 8023 | 2104 9563

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